terça-feira, 13 de outubro de 2009

Com quem estamos lidando...




Papa Bento XVI(em latim Benedictus PP. XVI, em italiano Benedetto XVI), nascido Joseph Alois Ratzinger, (Marktl am Inn, Baviera, 16 de abril de 1927) é o Papa desde o dia 19 de Abril de 2005.[1] Foi eleito como o 266º Papa com a idade de 78 anos e três dias, sendo o actual Sumo Pontífice da Igreja Católica. Foi eleito para suceder ao Papa João Paulo II no conclave de 2005 que terminou no dia 19 de Abril.

Domina pelo menos seis idiomas (alemão, italiano, francês, latim, inglês e castelhano), ademais lê o grego antigo e o hebraico. [2] É membro de várias academias científicas da Europa como a francesa Académie des sciences morales et politiques e recebeu oito doutorados honoríficos de diferentes universidades, entre elas da Universidade de Navarra, é também cidadão honorário das comunidades de Pentling (1987), Marktl (1997), Traunstein (2006) e Ratisbona (2006).

É pianista e tem preferências por Mozart e Bach.[3] É o sexto e talvez o sétimo (segundo a procedência de Estêvão VIII, de quem não se sabe se nasceu em Roma ou na Alemanha) papa alemão desde Vítor II e, nos seus 80 anos, tem a idade máxima para ser cardeal eleitor. Em abril de 2005 foi incluído pela revista Time como sendo uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.[4]

O último papa com este nome foi Bento XV, que esteve no cargo de 1914 a 1922, foi o Papa durante a Primeira Guerra Mundial. Ratzinger é o primeiro Decano do Colégio Cardinalício eleito Papa desde Paulo IV em 1555 e o primeiro cardeal-bispo eleito Papa desde Pio VIII em 1829.

Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn, uma pequena vila na Baviera, às margens do rio Inn, na Alemanha, filho de Joseph, um comissário de polícia (Gendarmeriekommissar) do Reich, um oficial da polícia rural oriundo da Baixa Baviera e adepto de uma corrente bávaro-austríaca de orientação católica.[5] Seu pai, era de religiosidade profunda e um decidido adversário do regime nacional-socialista, as suas idéias políticas firmes chegaram a trazer sérios perigos para a própria família. [5][6] Em 1941, um dos primos de Ratzinger, um menino de catorze anos de idade com Síndrome de Down, foi morto pelo regime Nazi em sua campanha eugênica. [6]

A sra. Ratzinger, Maria, falecida em 1963, era de procedência tiroleza, do sul da Alemanha, era tida por boa cozinheira e havia trabalhado em pequenos hotéis. O casamento ocorreu em 1920, os filhos Maria e Georg nasceram em 1921 e 1924, Joseph nascera num Sábado de Aleluia e fora batizado no dia seguinte, domingo da Páscoa. A família não era pobre no sentido literal do termo, mas os pais tiveram de fazer muitas renúncias para que os filhos pudessem estudar.[7] Em 1928 a família mudou-se para Tittmoning, na época um lugarejo de cinco mil habitantes, às margens do rio Salzach na fronteira austríaca.[8] Em 1932 a família mudara-se novamente, agora para Aschau, de novo às margens do Inn, um povoado próspero -já que em Tittmoning Ratzinger-pai havia se mostrado demasiado contrário aos nazistas. [5][8]

Aqueles assumiram o poder em 30 de janeiro de 1933 quando Hindenburg nomeou Hitler chanceler, nos quatro anos em que a família Ratzinger passou em Aschau o novo regime limitou-se a espionar e a ter sob controle os sacerdotes que se lhe mostravam hostis, Ratzinger-pai não só não colaborou com o regime como ajudou e protegeu os sacerdotes que sabia estarem em perigo. Já em 1931 os bispos da Baviera haviam publicado uma instrução dirigida ao clero em que manifestavam a sua oposição às idéias nazistas.[5] A oposição entre a Igreja e o Reich estendia-se ao âmbito escolar: os bispos empreenderam uma dura luta em defesa da escola confessional católica e pela observância da Concordata.[5]

Em Aschau começam os primeiros vislumbres da vocação sacerdotal, o jovem Ratzinger se deixa tocar pelos atos litúrgicos do povoado os quais frequenta com piedade, entrementes o avanço do novo sistema político e, com ele, a oposição da Igreja. Em fevereiro de 1937 tem lugar a Kristallnacht em que as juventudes hitleristas apredejam as vitrines das lojas dos judeus. Pouco tempo depois Pio XI promulga a Encíclica Mit brennender Sorge, em que condena as teorias nacional-socialistas. Neste ano seu pai, então sexagenário, aposentou-se e a família mudou-se para Traunstein.[9]

Nos anos de ginásio em Traunstein aprendera o latim que ainda era ensinado com rigor, o que muito lhe valeu como teólogo, pode ler as fontes em latim e grego e, em Roma, durante o Concílio, comenta, foi-lhe possível adaptar-se com rapidez ao latim dos teólogos que lá se falava, embora nunca tivesse ouvido palestras nessa língua. A formação cultural com base na antiguidade greco-latina propiciada naquele ambiente "criava uma atitude espiritual que se opunha às seduções da ideologia totalitária"[10]

Com o Anschluss e a fronteira da Áustria aberta a família pode ir com mais frequência a Salzburgo e em peregrinação a Maria Plain, ali puderam assistir a diversas apresentações musicais: "Foi ali que Mozart entrou até o fundo da minha alma. Não é um simples divertimento: a música de Mozart encerra todo o drama do ser humano", afirma.[11] Pela Páscoa de 1939 ingressa no seminário-menor em Traunstein, por indicação do pároco, para que pudesse iniciar de forma sistemática na vida eclesiástica.

Com a guerra o seminário é requisitado como hospital militar e o diretor o transfere para uns alojamentos vazios das Damas Inglesas de Sparz. A incorporação na Juventude Hitlerista das crianças alemãs tornou-se oficialmente obrigatória a partir de 1938 até o fim do Terceiro Reich em 1945. Até 1939 nenhum seminarista havia entrado na organização, mas o regime exigiu que a partir de março a afiliação fosse obrigatória. Até outubro a direção do seminário em que estava se negou a inscrever os seus alunos mas logo não pode mais impedir a sua inscrição na organização. Assim sucedeu também com Jospeh Ratzinger, aos 14 anos. [12] Uma testemunha relata (segundo o Frankfurter Allgemeine Zeitung) que os seminaristas eram uma "provocação para os nazis: se lhes considerava suspeitos de estar contra o regime.[13] Em um documento do Ministério da Educação se lê que a incorporação compulsória às Juventudes Hitleristas "não garantia que os seminaristas realmente se haviam incorporado à comunidade nacional-socialista".[14] Quando fez catorze anos em 1941, portanto, Joseph teve de se incorporar à Juventude Hitlerista [15] e, de acordo com o seu biógrafo John Allen, não era um membro entusiasta.[16] Recebeu gratuidade escolar por pertencer a esse grupo, mesmo não participando de seus encontros, graças à amizade com um professor de matemática filiado ao partido Nacional Socialista, que lhe leccionou no seminário. Por causa da mobilização provocada pela guerra os irmãos Ratzinger deixaram o seminário naquele ano de 1941 e retornaram à casa paterna.
[editar] Serviço militar

Em 1943, com 16 anos, foi incorporado no Exército Nazista Alemão, numa divisão da Wehrmacht encarregada da bateria de defesa antiaérea da fábrica da BMW nos arredores de Munique. Mais tarde, estará em Unterförhrin e Gilching, ao norte do lago Ammer. É dispensado em 10 de setembro de 1944 do serviço na bateria antiaérea de Gilching e poucos dias depois é enviado a um campo de trabalho em Burgenland , na fronteira da Áustria com a Hungria e a Checoslováquia para realizar trabalhos forçados, daí é destinado ao quartel de infantaria em Traustein, de onde desertará pouco tempo depois. [17]

Com a rendição alemã em 8 de maio de 1945 Ratzinger é recolhido preso no campo aliado de concentração de prisioneiros em Bad Aibling, com mais de quarenta mil prisioneiros. É libertado em 19 de junho, apenas dois meses depois de ter completado os dezoito anos, chegou em casa em Traustein na noite da sexta-feita do Sagrado Coração.[18]

Com o irmão, Georg Ratzinger, Joseph entrou num seminário católico. Em 29 de Junho de 1951, foram ambos ordenados sacerdotes pelo Cardeal Faulhaber, Arcebispo de Munique.
Ratzinger cardeal
O cardeal Ratzinger numa celebração

A partir de 1952 iniciou a sua atividade de professor na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising lecionando teologia dogmática e fundamental. Em 1953, obteve o doutoramento em teologia com a tese "Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho". Sob a orientação do professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, obteve a habilitação para a docência apresentando para isto dissertação com título de "A teologia da história em São Boaventura"

Lecionou ainda em Bonn (1959 - 1963); em Münster (1963 - 1966) e em Tubinga (1966 - 1969) onde foi colega de Hans Küng e confirmou uma certa visão tradicionalista como oposição às tendências marxistas dos movimentos estudantis dos anos 1960. A partir de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde chegou a ser Vice-Reitor.

No Segundo Concílio do Vaticano (1962 – 1965), Ratzinger assistiu como peritus (especialista em teologia) do Cardeal Joseph Frings de Colónia. Foi também quem apresentou a proposta da realização da missa em língua local em vez do latim.

Fundou em 1972, junto com os teólogos Hans Urs von Balthasar (1905-1988) e Henri De Lubac (1896-1992), a revista Communio, para dar uma resposta positiva à crise teológica e cultural que despontou após o Segundo Concílio do Vaticano. [19]

Recebeu o título de doutor honoris causa das seguintes instituições: College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; Universidade Católica de Lima, em 1986; Universidade Católica de Lublin, em 1988; Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999 e da Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polônia) no ano 2000 e era ainda Membro honorário da Pontifícia Academia das Ciências.

Ratzinger foi nomeado Arcebispo de Munique e Freising em 25 de março de 1977, pelo Papa Paulo VI, e elevado a Cardeal no consistório de 27 de junho de 1977 com o título presbiteral de "Santa Maria da Consolação no Tiburtino".

Em 1981, foi apontado como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé pelo Papa João Paulo II, cargo que manteve até ao falecimento do seu predecessor. Foi designado cardeal-bispo da Sé Episcopal de Velletri-Segni em 1993, e tornou-se Decano do Colégio Cardinalício em 2002, tornando-se o bispo titular de Ostia. Participou do Conclave de agosto de 1978 que elegeu o Papa João Paulo I e do Conclave de outubro deste mesmo ano que resultou na eleição de João Paulo II.

Era um velho amigo de João Paulo II, compartilhava das posições ortodoxas do Papa e foi um dos mais influentes integrantes da Cúria Romana. A sua posição como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo que exerceu durante vinte e três anos, o colocava como um dos mais importantes defensores da ortodoxia católica. O ex-frade Leonardo Boff, brasileiro, um dos expoentes da Teologia da Libertação, teve voto de silêncio imposto por Ratzinger em 1985 devido às suas posições políticas marxistas.

Aos 78 anos, o Cardeal Joseph Ratzinger é eleito papa pelo colégio de cardeais. O conclave findo em 19 de abril de 2005 foi um dos mais rápidos da história, tendo apenas quatro votações e duração de apenas 22 horas. No dia 24 de abril do mesmo ano tomou posse em cerimônia na Basílica de São Pedro em Roma.[20]

A fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina às 17h50 daquele 19 de Abril (hora do Vaticano). O nome do cardeal alemão foi anunciado cerca das 18h40 locais, da varanda da Basílica de São Pedro, onde o novo Papa surgiu minutos depois usando o solidéu branco, aclamado por milhares de pessoas que preenchiam a Praça de São Pedro, o coração do Vaticano.
[editar] O anúncio (Habemus Papam)
Annuntio vobis gaudium magnum; habemus Papam: Anuncio-vos com grande alegria; já temos o Papa:
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum, O Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor
Dominum Josephum D. José
Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Ratzinger Cardeal da Santa Igreja Romana, Ratzinger
qui sibi nomen imposuit Benedicti Decimi Sexti. Que adotou o nome de Bento XVI.
[editar] Primeira declaração

Em resposta a esse anúncio, sua primeira declaração ao público, depois de eleito Papa, segue:

"Queridos irmãos e irmãs:

Depois do grande Papa João Paulo II, os senhores cardeais elegeram a mim, um simples humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me o facto de que o Senhor sabe trabalhar e actuar com instrumentos insuficientes e, sobretudo, confio nas vossas orações. Na alegria do Senhor ressuscitado, confiados em sua ajuda permanente, sigamos adiante. O Senhor nos ajudará. Maria, sua santíssima Mãe, está do nosso lado. Obrigado."

[editar] O nome "Bento"
Primeira bênção de Natal de Bento XVI, 25 de dezembro de 2005

A escolha do nome Bento é uma provável homenagem ao último papa que adoptou o nome Bento, que foi o italiano Giacomo della Chiesa, entre 1914 e 1922. Conhecido como o "Papa da paz", Bento XV tentou, sem sucesso, negociar a paz durante a Primeira Guerra Mundial. O seu pontificado foi marcado por uma reforma administrativa da igreja, possuindo um caráter de abertura e de diálogo. Além disso, Bento XVI sempre foi muito ligado espiritualmente ao mosteiro da beneditino de Schotten, perto de Ratisbona, na Baviera.

Alguns analistas, como dom Antônio Celso de Queirós, vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), relacionaram a adoção do nome Bento com a atuação de São Bento de Núrsia (480-547), fundador da Ordem Beneditina e padroeiro da Europa, o que o próprio papa confirmou após a publicação das explicações sobre seu brasão. Após as invasões bárbaras, os mosteiros de São Bento foram responsáveis pela manutenção da cultura latina e grega e pela evangelização da Europa. A escolha do nome deste Santo representaria, portanto, que uma das prioridades do papado de Bento XVI será a "recristianização da Europa".
[editar] Brasão e lema

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Brasão de Bento XVI

"O escudo adoptado pelo Papa Bento XVI tem uma composição muito simples: tem a forma de cálice, que é a mais usada na heráldica eclesiástica (outra forma é a cabeça de cavalo, que foi adotada por Paulo VI). No seu interior, variando a composição em relação ao escudo cardinalício, o escudo do Papa Bento XVI tornou-se: vermelho, com ornamentos dourados. De fato, o campo principal, que é vermelho, tem dois relevos laterais nos ângulos superiores em forma de "capa", que são de ouro. A "capa" é um símbolo de religião. Ela indica um ideal inspirado na espiritualidade monástica, e mais tipicamente na beneditina." (Da explicação do brasão pela Santa Sé)[21]

Visita ao campo de Auschwitz-Birkenau, acompanhado do presidente Lech Kaczyński da Polônia.
[editar] Expectativas como Papa

O grande mote de Joseph Cardeal Ratzinger, nos dias que antecederam o conclave, foi a questão do secularismo e do relativismo. Acreditava-se que o papa Bento XVI seria um grande defensor dos valores absolutos, da doutrina e do dogma da Igreja. "A pequena barca com o pensamento dos cristãos sofreu, não pouco, pela agitação das ondas, arrastada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo até a libertinagem, do coletivismo ao individualismo mais radical, do ateísmo a um vago misticismo, do agnosticismo ao sincretismo",[22] afirmou durante a missa de abertura do conclave que viria elegê-lo. Acreditava-se também, devido ao nome escolhido (São Bento é padroeiro da Europa), que Bento XVI voltar-se-ia para esse continente que, segundo ele, vem caindo no secularismo (abandono dos valores religiosos e redução de tudo ao espectro político de direita e esquerda).

Para Daniel Johnson[6], poder-se-ia esperar uma cruzada rigorosa contra a eugenia e a eutanásia, graças a convivência do papa com as mazelas do nazismo, mas que haveria uma abertura ao ecumenismo, principalmente em relação às igrejas ortodoxas e protestantes. Também dizia que o papa deveria entusiasmar os fiéis com suas interpretações da teologia, animando, por exemplo, os jovens com a Teologia do Corpo, que vê a sexualidade como uma emanação do amor divino.
[editar] Pensamento teológico
Bento XVI numa audiência privada (20 de janeiro de 2006)

Considerando toda a sua obra literária, as suas atitudes como sacerdote e bispo ao longo da sua vida religiosa, e ainda do que se verifica dos anos passados à frente da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger possui um pensamento católico ortodoxo que, para muitos de seus críticos, é tido como sendo conservador. Bento XVI tem adotado, no seu Pontificado, propostas semelhantes às do seu predecessor relativos à moral e ao dogma católico.

Na década de 1990 o Cardeal Ratzinger participou da elaboração de documento sobre a concepção humana como sendo o momento da animação. A partir da união do óvulo com o espermatozóide temos uma vida humana perante Deus. Assim, é impossível que a Santa Sé mude sua posição diante das pesquisas com células estaminais (células-tronco) embrionárias ou diante do aborto. Na verdade esperava-se que o Papa reafirmasse o Magistério constante da Igreja sobre estes e outros temas da atualidade relacionados com a Moral, a Ética e a Doutrina Social da Igreja, o que de fato ocorreu.

(Até aqui, conteúdo retirado da Wikipédia)

Tudo isso exposto, caros CQPistas, ficam questionamentos interessantes no ar...
Que coerência existe entre a primeira declaração feita pelo atual papa e a atitude do cardeal que fez a maior campanha em causa própria já vista num conclave?
O atual papa foi além, ultimamente, manifestando a legitimidade da busca por capital...Entende-se, daí, a voracidade de alguns padres nesta área!


Vale a pena então ler o artigo de Stephen Kanitz sobre o assunto:

Administradores socialmente responsáveis se sentirão fortalecidos com a nova encíclica, que defende como nunca foi defendido antes, a importância do administrador de empresas como o mentor de uma justiça social na empresa.
"Nos últimos anos, notou-se o crescimento duma classe cosmopolita de gerentes, que muitas vezes responde só às indicações dos acionistas da empresa constituídos geralmente por fundos anônimos que estabelecem de fato as suas remunerações. Todavia, hoje, há também muitos gerentes que, através de análises clarividentes, se dão conta cada vez mais dos profundos laços que a sua empresa tem com o território ou territórios, onde opera."

Nos últimos anos, leia-se 100 anos, pois em 1909, Harvard Business School identificou esta nova classe de gerentes, e criou um curso para formar administradores socialmente responsáveis, que cuidariam dos "stakeholders" e não somente dos "stockholders", como faziam os empresários.

[Papa Bento XVI em São Paulo]


Diz Bento. "Dentro do mesmo tema, é útil observar que o espírito empresarial tem, e deve assumir cada vez mais, um significado polivalente. A longa prevalência do binômio mercado-Estado habituou-nos a pensar exclusivamente, por um lado, no empresário privado de tipo capitalista e, por outro, no diretor estatal. Na realidade, o espírito empresarial há de ser entendido de modo articulado, como se depreende duma série de motivações meta-econômicas."

Só que estes novos administradores foram duramente combatidos pelos empresários que os viram como uma ameaça, e pelos dirigentes estatais, ao longo destes 100 anos.

Ou seja, a opção mercado-Estado, do empresário de um lado e do diretor estatal indicado pelo Partido do outro, não são as únicas opções. Existe outra, a qual temos defendido há 100 anos, de entregar ou pulverizar o poder a milhares de administradores socialmente responsáveis. Algo que a esquerda e a direita, incluindo a Igreja, nunca defenderam. Até agora!

"Apesar dos parâmetros éticos que guiam atualmente o debate sobre a responsabilidade social da empresa não serem, segundo a perspectiva da doutrina social da Igreja, todos aceitáveis, é um fato que se vai difundindo cada vez mais a convicção de que a gestão da empresa não pode ter em conta unicamente os interesses dos proprietários da mesma, mas deve preocupar-se também com as outras diversas categorias de sujeitos que contribuem para a vida da empresa: os trabalhadores, os clientes, os fornecedores dos vários fatores de produção, a comunidade de referimento."

Papa Bento repete a nossa luta pela defesa do "stakeholder", contra a direita que sempre defendeu o "stockholder", e a esquerda que sempre defendeu o "stockholder Estado", com todos os problemas de autoritarismo que a história retratou.

Papa Bento não percebe claramente este novo protagonista do administrador, parece que ele está sugerindo que este protagonismo seja criado, mas já é um avanço. Falta uma comitiva de administradores mais religiosos fazer uma peregrinação ao Vaticano, e contar a nossa história de 100 anos.

Uma das razões que Harvard decidiu criar o curso já em nível de Pós-Graduação, foi para dar status imediato a esta nova classe. Harvard só tinha 3 cursos de Pós: Medicina, Direito e Teologia.

"Precisamos criar um novo protagonista da ética e da moral, já que nossos teólogos estão perdendo espaço, e nossos advogados estão preferindo as bancas de Wall Street e não a magistratura", defendia o Dean de Harvard na época.

Com 100 anos de atraso, este apoio incial do Papa é bem-vindo e precisa ser divulgado.
(termina aqui o artigo de S.K.)

Por enquanto é só....
Apenas para sabermos com quem estamos lidando!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O acordo entre o Vaticano e Brasil

Senhores CQPistas, como pode ser lido na matéria do Último Segundo (http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/08/26/camara+aprova+estatuto+da+igreja+catolica+8108122.html) foi aprovado no plenário da câmara o texto do acordo entre o Brasil e o Vaticano que regulamenta o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil.




Uma vez que ao longo de sua história o governo brasileiro e a igreja tem se confundido de diversas maneiras, um acordo, regra, lei ou descrição detalhada, seja como forem, vem a calhar. Dessa maneira, a priori, ou o errado estabelecido se consuma claramente ou são sanadas as dúvidas e esclarecidas funções, responsabilidades, direitos e deveres.

Proponho que nesse espaço democrático discutamos o texto na íntegra, saindo assim do debate vazio a respeito do que desconhecemos. Primeiramente vamos ler o texto aprovado, disponível no link do Ministério das Relações Exteriores : http://www.mre.gov.br/portugues/imprensa/nota_detalhe3.asp?ID_RELEASE=6031

As Partes e seus documentos regentes:
Num primeiríssimo momento o texto cita as partes acordantes (República Federativa do Brasil e Santa Sé) e em seguida faz ressalva para quais as leis máximas de cada parte e de que modo elas não são feridas nesse acordo, de maneira simplificada. São citadas ai: O Direito Canônico, O Concílio Vaticano II, O ordenamento jurídico do Brasil no seu conjunto de leis da constituição até as leis menores. Tenta-se ai também esclarecer que o documento não fere essas leis, especialmente a Constituição Brasileira (o princípio internacional e constitucional de liberdade religiosa), assim como a relação histórica em Brasil e Vaticano a serviço da sociedade e do bem integral da pessoa humana.

Em seguida se reafirma as Relações Diplomáticas entre Brasil e Vaticano, garante-se o direito da Igreja Católica a desempenhar sua missão apostólica, nos termos do Direito Canônico.

O artigo 3 reafirma todas as ações já instituídas da igreja no Brasil, desde as paróquias às Arquidioceses passando pelos Ordináriados Militares e independência sobre esses "dispositivos" e sua Personalidade Jurídica de acordo com as leis vigentes.

O artigo 4 fala que a responsabilidade sobre essas circunscrições deverá ser de um Bispo fixado em território nacional. E o artigo 5 que as "pessoas jurídicas" citadas no 3, sendo reguladas na lei, e que também sejam de "fins de assistência e solidariedade social" terão os mesmos direitos e deveres de outras instituições nessas circunstâncias.

O artigo 6 estabelece a cooperação para "salvaguardar, valorizar e promover a fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica" que sejam considerados patrimônio histórico e artístico nacional. De modo que o objetivo maior dessas bens móveis e imóveis seja mantido em detrimento de possíveis usos culturais e a Igreja se compromete a "facilitar o acesso a ele para todos os que o queiram conhecer e estudar" salvagardando suas finalidades religiosas e sua proteção.

No artigo 7 o governo Brasileiro se prontifica a não dispor (usar para objetivos próprios, demolir, transportar, etc) dos bens citados no artigo 6, salvo em caso de necessidade pública nos termos da constituição.

No artigo 8 a Igreja se prontifica, e o governo garante o direito, a "assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, de assistência social, de educação ou similar, ou detidos em estabelecimento prisional ou similar".


No artigo 9 o fala do reconhecimento mútuo de títulos educacionais se submete às regras de ambos os "governos". Esse reconhecimento é idêntico para todas as nações do mundo, nos mesmos termos.

No artigo 10 se determina que a Igreja continuará a colocar suas instituições de ensino a serviço da sociedade, em acordo com a legislação. O Brasil garante o direito da Igreja de criar e administrar seus seminários religiosos e os títulos por esses conferidos tem os mesmos direitos que outros institutos em mesma condição.

No artigo 11 se reconhece mutuamente a importância do ensino religioso (com ressalva a QUALQUER religião, grifo meu) e a constituição de disciplina nas escolas públicas. Feita a ressalva para não ferir a constituição, esse artigo se mostra polêmico por não estabelecer por parte do governo como será possível promover o ensino de todas as religiões, igualmente, em todas as escolas públicas do país. Existe também a educação dita Ateísta, que se considera discriminada e excluída. Para ler mais sobre esse ponto de vista visite: http://www.atea.org.br/ e matéria no Portal Terra.

A validade do Casamento religioso quando efetivado com as conformidades e registros legais e objeto do artigo 12. E A garantia do segredo da confissão do artigo 13. Apesar de parecer incomum, o artigo 12 apenas ecoa a constituição federal ao garantir o direito a privacidade.

A previsão para espaços religiosos (sem distinção a qual credo especificamente, grifo meu) nos projetos das cidades brasileiras é citada no artigo 14, o que é publicamente aceito como de interesse da comunidade, e da sociedade como um todo.

A garantida de imunidade tributária às pessoas jurídicas eclesiásticas e demais entidades filantrópica em paridade com as já existentes e de acordo com a lei são estabelecidas no artigo 15 e o não vínculo empregatício de ministros ordenados e fiéis consagrados e a atividade voluntária já prevista em lei trabalhista no artigo 16.

O Artigo 17 cita a possibilidade de que bispos possam convidar outros membros religiosos do exterior para exercer atividade no Brasil e a possibilidade do governo de conceder visto temporário e permanente de acordo com o caso.

A autoridade da CNBB para firmar esse acordo assim como outros com as autoridades Brasileiras, que as divergências no acordo serão resolvidas com diplomacia direta e a publicação do acordo nos artigos 18, 19 e 20 respectivamente.

Opinião:
Assim resumido o acordo, acredito improcedente a acusação de que o acordo é discriminatório e de que favorece a Igreja Católica em detrimento das demais religiões. As únicas ressalvas são quanto a maneira de sanar o ensino religioso igualitário e Ateu, de modo a respeitar a liberdade de crença (e de descrença no caso dos ateu e agnósticos).

Leiam o texto na íntegra e o resumo e façam seus comentários. É importante se interar e fazer valer sua opinião.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Analisando a mídia e suas motivações.

Na última semana tem chegado a mídia diversas denuncias sobre a já tão mal-falada Igreja Universal do Reino de Deus, que tem como líder "espiritual" o Sr. Edir Macedo. Por isso, e não somente isso, decidi escrever um pequeno editorial a respeito desta e um pequeno resumo histórico de seus desdobramentos e envolvimentos no Brasil e no exterior, além, é claro, do já corriqueiro cruzamento de informações entre as suas práticas desonestas (no mínimo) e outras práticas dos demais aproveitadores sangue-sugas que infestam nossa sociedade.


"Diploma de dizimista" de Edson Luiz de Melo, ex-zelador, de 45 anos, em Belo Horizonte, Minas Gerais, terça-feira (11). Dulce Conceição de Melo, de 65 anos, mãe de Edson, entrou com a ação na Justiça contra a Igreja Universal do Reino de Deus por prejuízo de R$ 55 mil. Ela teve que pedir a interdição civil do filho para impedir que o prejuízo fosse maior e que ele desse mais dinheiro à igreja.
Link para a foto: http://noticias.uol.com.br/album/090812_album.jhtm?abrefoto=15


A IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) foi fundada em 1977 por Edir Macedo. Egresso da Igreja Cristã Nova Vida juntamente com o Missionário R.R. Soares (até então apenas Romildo Soares) que se casou alguns anos depois com a irmã de Macedo, Maria Magdalena. Pouco depois da fundação da IURD o Missionário R.R. Soares fundou a sua própria pentecostal, a Igreja Internacional da Graça de Deus, onde ficou famoso e tornou-se o campeão de aparições na "tevê" ao ter um total de 100 horas por semana de programação nas emissoras de alcance nacional.

A Igreja Cristã Nova Vida foi fundada pelo pentecostal canadense Bispo Robert McAlister em 1960 no Rio de Janeiro e liderada após seu falecimento pelo Bispo Walter McAlister Júnior, filho do pentescostal. Tando Macedo quanto Soares deram seguimento a essa doutrina de pregação através dos meios televisivos e radiofônicos desenvolvida inicialmente pelo bispo Robert McAlister, que foi um pioneiro na evangelização pela televisão (
tele-evangelismo), trazendo a prática, já muito difundida nos Estados Unidos e Canadá desde os anos 50, para o Brasil.

O sucesso dessa abordagem no público Brasileiro foi gradual a princípio, porém teve impacto forte e duradouro durante os anos 80, especialmente nas camadas mais pobres da população, abocanhando ao longo dos últimos anos um percentual significativo dos fiéis da tradicional Igreja Católica que , até hoje, possui a afiliação (mesmo que apenas declarada) de apenas 75% da população Brasileira (pesquisa recente da fundação Getúlio Vargas). Em sequência ao sucesso dessas e de outras denominações pentecostais e protestantes surgiu no Brasil um fenômeno multiplicador de Igrejas, anunciando assim o modelo de evangelização que mais se assemelha a um modelo de negócios. Essa proliferação continua até hoje, porém, numa intensidade menor.

Após diversas polêmicas amplamente divulgadas em muitas correntes da mídia, inúmeros envolvimentos dos membros da IURD e de outras denominações em atos criminosos, especialmente em lavagem de dinheiro e apropriação indébta de doações da igreja para fins pessoais (como no citado abaixo da foto), ficou amplamente conhecido o potencial nocivo da devoção e entrega abnegada dos fiéis aos dirigentes, pastores e bispos. Assim como a cede de poder e dinheiro de muitos "pastores" que se aproveitaram da fé popular. Isso dito não ficarei a detalhar essas práticas criminosas. Para saber mais procurem no google por "Mala de Dinheiro", "Chute na Santa", "Dólares na Bíblia" ou "Edir Macedo".

Mais recentemente o ministério Público de São Paulo iniciou investigações sobre novas denuncias de crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha contra o fundador da IURD e outras nove pessoas ligadas a igreja.

Leia um exerto da matéria da Folha on Line sobre o caso:

"A denúncia resulta de uma investigação que quebrou os sigilos bancário e fiscal da Universal e levantou o patrimônio acumulado por seus membros com dinheiro doado pelos fiéis, entre 1999 e 2009. A Folha informa que, segundo dados da Receita Federal, a Universal arrecada cerca de R$ 1,4 bilhão por ano em dízimos. Somando-se as transferências atípicas e os depósitos bancários em espécie feitos por pessoas ligadas à Universal, o volume financeiro da igreja entre 2001 e 2008 foi de cerca de R$ 8 bilhões, segundo informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda que combate a lavagem de dinheiro." http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u608499.shtml

Analisando:
A apropriação de recursos de fiéis e recursos públicos não é, absolutamente, exclusividade das igrejas citadas acima, nem de quaisquer outras igrejas ou organizações nesse nosso Brasil, onde se proliferam os casos de desvio do dinheiro público. No entando é comum a todos nós, fiéis e ateus, o ônus de fiscalizar seus bispos, bispas, padres, freiras, pastores, missionários e fiéis em cargos de responsabilidade para que esses desvios não ocorram. Não permitindo assim que a palavra de Deus seja usada para benefício de poucos, contrariando completamente seus ensinamentos.

Amigos CQPistas: conhecem alguma história parecida a essa em suas experiências pessoais?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A ignorância nem sempre está no topo...

...da hierarquia da igreja.
Ao menos a respeito de comentários sobre a cultura "pop" como um todo.

Estou falando do comentário do L'Osservatore Romano (jornal do Vaticano) sobre o novo filme de Harry Potter. Ao contrário da maioria dos e-mails, textos, etc que costumo receber perto dos lançamentos de filmes de conteúdo de fantasia (o gênero diz tudo), que sempre tentam demonizar esses filmes/livros/séries, o jornal comenta de maneira que pode ser considerada moderada a boa.



Em Janeiro de 2008 já havia escrito sobre o filme: "transmite uma visão de mundo e da humanidade cheia de erros profundos e sugestões perigosas", o autor do artigo ainda compara a obra toda com a obra de JRR Tolkien e C. S. Lewis, conhecidos autores cristãos, na tentativa de desqualificá-la, certamente.
http://www.catholicnewsagency.com/new.php?n=11441

Porém, percebendo (finalmente) que demonizar é divulgar, a mídia cardinalícia optou por moderar o discurso dizendo que a obra "demonstra claramente a eterna luta entre o bem e o mal" dentre outros comentários positivos. Infelizmente, sendo o L'Osservatore um jornal de papel, sem cópia atualizada na internet, é impossível avaliar os comentários pessoalmente, mas notícias formam divulgadas por toda a internet através das mais diversas agências. Ficamos então a espera de um facsimile.

Enquanto isso alguns padres/clérigos/carolas de plantão, que já tinham tentado demonizar a série e/ou os filmes em outras ocasiões, foram pegos de calça curta pelos comentários positivos do Vaticano. Fica a pergunta: a quem eles devem obediência a final, ao Papa ou a própria opinião (eg.: ignorância)? A tentativa de se adaptar a realidade de um determinado padre de Ituiutaba, Minas Gerais, pode ser lida aqui: http://beinbetter.wordpress.com/2009/07/14/losservatore-romano-e-harry-potter/

Me resta assistir ao filme. Aliás, confesso que sou fã da série sem qualificá-la como fundamental na literatura infanto-juvenil, porém, como diversão certa. E com a leveza que merecem as obras de fantasia, uma obra que tem como referência maior o trabalho de JRR Tolkien, de quem a autora se confessa grande admiradora e humilde referenciadora.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Deus é POP

Coletando informações sobre a matéria de capa da revista época de 12/06, que se intitula: "Deus é pop". Em breve, comentários.

Pequeno exerto da matéria no site da revista: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI77113-15228,00-DEUS+E+POP+TRECHO.html

Site da fundação Alemã que promoveu a pesquisa em 2008: http://www.bertelsmann-stiftung.de

Subsetor do site da Fundação Bertelsmann Stiftung que lida com análise das religiões: http://www.bertelsmann-stiftung.de/cps/rde/xchg/SID-19CA38FC-BDF298C7/bst_engl/hs.xsl/36797.htm

Link para página com o estudo citado na revisa: http://www.bertelsmann-stiftung.de/cps/rde/xchg/SID-36F0D367-966B8427/bst_engl/hs.xsl/nachrichten_88550.htm

PDF com tabelas e gráficos dos dados da pesquisa (religiosidade em jovens adultos em alguns países do mundo): http://www.bertelsmann-stiftung.de/bst/en/media/xcms_bst_dms_24987_24988_2.pdf

PDF com o texto completo do estudo e suas conclusões: http://www.bertelsmann-stiftung.de/bst/en/media/xcms_bst_dms_24989_24990_2.pdf

Gráfico resumido referente ao estudo:

Para abrir o gráfico e tamanho grande clique aqui.


Outro estudo sobre o futuro do cristianismo no mundo: http://www.bertelsmann-stiftung.de/cps/rde/xchg/SID-19CA38FC-BDF298C7/bst_engl/hs.xsl/prj_85260.htm

terça-feira, 2 de junho de 2009

Catolicismo é a religião que mais aderiu à internet

http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2009/06/02/ult4213u751.jhtm

CIBELE GONELLI | Para o UOL Tecnologia
O catolicismo é uma das mais expressivas vertentes do cristianismo e também o que mais aderiu à internet. O site Meu Santo disponibiliza informações sobre a história dos santos católicos e oferece ao internauta a opção de fazer e pagar promessas pela web.

É possível enviar santinhos, pedir graças, fazer novenas e consultar mural de graças recebidas. Quando se clica na oração de um santo, aparecem na tela o texto, imagens relaxantes e toca uma música new age.

O Meu Santo foi lançado dia 6 (Dia de Reis) e tem recebido cerca de 10 mil visitas diárias. O site também monta um ranking com os santos que mais estão atendendo aos pedidos dos internautas. Em 1.º lugar está Nossa Senhora de Fátima (invocada em momentos de aflição).

Pedidos de oração ainda podem ser enviados para o site Religião Católica , onde são recolhidos e enviados para equipes de intercessores. Pelo site, também é possível acender uma vela. O Santuário de Aparecida também já entrou na era virtual. Pelo site, fieis podem pedir orações, fazer rezas com o Terço Virtual e acender velas.

Lá fora, os sites religiosos também arrastam multidões. A Igreja anglicana, por sua vez, possui uma paróquia virtual, o I-Church, onde o reverendo que está online responde diretamente ao bispo de Oxford. Já o BelifNet traz links e informações sobre várias religiões.

O site Croire —"croire" em francês significa "crer"— recebe e-mails com as orações dos católicos e cobra US$ 6,13 para acender uma vela na gruta onde a jovem Bernadette Soubirous teria presenciado aparições de Maria, mãe de Jesus Cristo, em 1858. O site já recebeu cerca de duas mil mensagens em diferentes línguas.

domingo, 24 de maio de 2009

O celibato publicamente em cheque.

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/05/24/para+lugo+o+celibato+e+imperfeito+so+deus+e+perfeito+6308901.html

Para Lugo, "o celibato é imperfeito, só Deus é perfeito"

24/05/2009 - 11:38 , atualizada às 11:47 24/05 - EFE

Reuters
Lugo também declarou que nunca pensou em renunciar e sustentou que não recebeu "nenhum comunicado" do Vaticano desde que, no mês passado, reconheceu um filho que teve em 2007, logo após sua renúncia ao clero para começar sua carreira política.

Segundo o chefe de Estado paraguaio, o celibato "é uma opção pessoal, de fé. Acho que o único perfeito é Deus e tudo o que é feito pela pessoa humana é imperfeito. Portanto, o celibato também é uma questão imperfeita do homem ou da mulher".

Perguntado sobre se tinha noção de até que ponto sua vida particular afeta sua imagem, o ex-bispo de 58 anos respondeu que não acredita "muito nisso". "Nossas pesquisas, sobretudo com o povo mais simples, aquele que votou em nós, mostram que a imagem se mantém intacta, pelo menos aqui no Paraguai".

Já ao comentar sobre se sua relação com as mulheres mudou a partir do escândalo, Lugo disse que, "para ser sincero, mudou um pouco, inclusive pela grande campanha midiática. Muitas mulheres podem ter feito uma imagem diferente do que sou, mas temos relações muito boas".

"Não pensei em renunciar. Se tiver que renunciar, tenho que consultar 834 mil eleitores que depositaram sua confiança em mim. Se um número maior de pessoas que esse o pedirem, então sim, pensaria em renunciar", concluiu o presidente paraguaio.
BUENOS AIRTES - O presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, disse, em entrevista publicada neste domingo pelo jornal argentino "Clarín", que o celibato é uma "questão imperfeita" e que o escândalo de reconhecimento de paternidade que protagoniza não o fez perder apoio popular, mas o contrário.

sábado, 16 de maio de 2009

Anjos e Demônios, as minhas impressões

Bom, penso que como o nosso tema central é o Catolicismo e sua prática inteligente na atualidade, é nosso dever escrever nossas impressões sobre o filme.

Eu ja havia lido o livro, assim como os demais livros de Dan Brown, e tinha tido uma experiência salutar com a obra como um todo. Em Anjos e Demônios especificamente tive grande elemento de identificação umas vez que as temáticas transversais, catolicismo, criptografia, história de roma, história da ciência e o conflito entre fé e ciência. Todos de grande relevância pra mim especialmente a última.

O filme se mantêm fiél ao livro, com raras exceções que modificam um pouco o final da trama, mas não compromete o conteúdo tratado como um todo.

Quanto ao posicionamento do filme frente a cultura e fé católica, tradições e mitos, e propriamente sua história (ou nossa história, como queira) que se mostra aos que não ha conhecem um tanto perturbadora (e ainda foi pouco, o filme cita apenas alguns momentos dos quais nos envergonhamos) é mantido de maneira respeitosa, e diria necessária, uma vez que o filme é um mistério de assassinato e intriga política, logo, não poderia ser alimentado por coisas belas e bons pensamentos.

Isso dito, o filme me pareceu trazer uma imagem realista dos nossos (ou não tão nossos, como queiram) bispos e cardeais, mostrando uma face errônia, iludida e deslumbrada do clero frente o conscílio e todas as consequências deste. É também citada uma dita organização secreta, Iluminati, que é citada por diversos filmes e romances que tratam de conspirações, somente rivalizando nesse aspecto com os templários e massons (muito citados nos demais livros de Dan Brown) que teria sofrido punições desumanas pela igreja medieval e declarado guerra a ireja por isso. A existência dessa organização nunca foi provada, mas punições como as citadas no fillme (e outras tão cruéis quanto) foram realmente sentenciadas por "tribunais cristãos" (existe algo mais contraditório meu Deus).

O final do filme repercute algo que vínhamos dizendo diversas vezes aqui nesse blog e na nossa experiência como Católicos particioantes e questionadores (isso sim, pura coerência), infelizmente não posso citar para nào estragar o final do filme.

Finalizando, recomendo o filme por diversos motivos, ao contrário do propagou o baixo clero, o filme não degrada a imagem do catolicismo, apenas retrata uma cituação fictícia com imagens bem realistas das personalidades de diversos dos nossos clérigos.

Agora amigos CQPistas, quero a opinião de vcs a respeito.
abraço

domingo, 10 de maio de 2009

Antes mesmo da estréia...

... aguardem em breve uma séries de e-mails ligando um filme a obras demoníacas. Será que já vimos isso antes?

Vaticano pede que fiéis não vejam "Anjos e Demônios"

LÚCIA VALENTIM RODRIGUES
da Folha de S.Paulo, em Roma

O diretor Ron Howard, 55, aprende com seus erros. Após fazer "O Código Da Vinci", adaptação do livro de Dan Brown, e ser um fracasso de crítica, ele adapta "Anjos e Demônios" --que estreia no Brasil no dia 15--, do mesmo autor, com mais ação, ritmo muito mais acelerado e, surpreendentemente, nenhum sexo.

Em exibição para a imprensa, em Roma, na semana passada, foi consenso entre jornalistas que este longa é melhor que o anterior. O sucesso se explica numa palavra: liberdade.

7.mai.09-Katsumi Kasahara/AP
Diretor Ron Howard, atores Tom Hanks e Ayelet Zurer e produtor Brian Grazer (da esq. à dir.) posam na divulgação do filme (Tóquio)
Diretor Ron Howard, atores Tom Hanks e Ayelet Zurer e produtor Brian Grazer (da esq. à dir.) posam na divulgação do filme (Tóquio)

Howard e os roteiristas David Koepp e Akiva Goldsman cortaram, fundiram personagens e reescreveram uma boa parte do final. "Faz parte de uma adaptação ter de escolher. Fazendo uma autocrítica, diria que fui muito devotado ao original em "Código Da Vinci". Neste filme resolvi mudar mais. E, depois de tantos comentários, achamos que Robert Langdon podia ganhar um corte de cabelo", diz o diretor, em evento de lançamento europeu. "Isso foi meu maior desafio", brinca Tom Hanks, 52.

Ele está novamente no papel do simbologista de Harvard Robert Langdon, que é chamado para desvendar os mistérios em torno de uma série de assassinatos. Um extremista sequestra e mata de hora em hora quatro cardeais cotados para a vaga aberta com a morte do papa. À meia-noite, uma bomba vai explodir dentro do Vaticano durante esse conclave.

Brown aprovou as mudanças: "Foi interessante testemunhar o processo de transformar um texto denso num thriller inteligente e de rápida diversão, mas nada foi feito pensando em agradar aos católicos".

O filme mantém acesa a polêmica com a Igreja Católica, sempre presente no que concerne ao autor americano.

No dia seguinte à sessão na capital italiana, o bispo Antonio Rosario Mennonna, de 102 anos, entrou com uma denúncia na Procuradoria de Roma e de Potenza, chamando o filme de "difamatório e ofensivo aos valores da igreja e ao prestígio da Santa Sé" e conclamando os fiéis católicos a não irem vê-lo.

O líder da Liga Católica nos EUA, William Donohue, disse que Hollywood "inventou uma história para difamar a igreja" e classificou o filme de "anticatólico". Ron Howard agradeceu e disse que esse tipo de polêmica ajuda no marketing.

Durante as filmagens, o longa teve negado acesso a várias partes do Vaticano, que foram recriadas em estúdio em Los Angeles. "Não esperava cooperação", diz o diretor. "Nunca estive no cartão de Natal da igreja, mas esse ataque acontece sem ninguém ter visto o filme".

O diretor convidou representantes da igreja para assistir, "mas todos declinaram". O astro de US$ 20 milhões Tom Hanks fez uma espécie de "anticampanha". "Se você acha que o filme vai atacar sua fé, simplesmente não vá ao cinema.

Nós imploramos, por favor, não vá", disse em tom jocoso.

Uma festa que estava programada para acontecer em Roma foi cancelada por interferência extraoficial do Vaticano. "Foi deixado claro por alguns canais que a igreja não aprovava aquilo", disse o diretor.

Sem beijo

Vivida pela israelense Ayelet Zurer, a mocinha foi transformada em uma mulher mais realista. A atriz diz que no livro Vittoria Vetra parecia uma "super-heroína": "Afinal, ela é muito inteligente, contesta Einstein e ainda é sexy".
Na versão cinematográfica, ela é "uma mulher que você consegue encontrar na rua".

Talvez por isso ela não tenha encantado Langdon, com o qual não tem nenhuma cena romântica. Hanks relativiza: "Nas 24 horas em que se passa o filme eles não conseguiriam achar tempo para um beijo.

Pensamos em mudar a locação de uma das mortes para um hotel onde eles pudessem transar, ou um carro grande, como um Alfa Romeo, mas não ficou bom no roteiro", ri ele.

A jornalista LÚCIA VALENTIM RODRIGUES viajou a convite da Sony Pictures

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Apático, morno, em fim: Anti-cristão

E o Cristo os vomitará, com certeza.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2009/05/01/ult4469u40655.jhtm

CNBB mantém restrições aos casais em segunda união

São Paulo - Os casais de segunda união, que partiram para novo casamento após a separação, são convidados a participar da vida comunitária nas paróquias, mas não podem comungar, pois a Igreja não admite o divórcio. E, pela manifestação da 47ª Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que termina hoje em Itaici, município de Indaiatuba, a situação não vai mudar.

Um manifesto em favor da família aprovado pela assembleia refere-se de leve aos casais em segunda união, ao pedir que a Pastoral Familiar, Movimentos, Serviços e Institutos da Igreja acolham "as (famílias) que se encontram em situações especiais". O acolhimento consiste em engajar recasados em celebrações litúrgicas, embora sem acesso aos sacramentos.

D. Orlando Brandes, arcebispo de Londrina (PR) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, lamentou o tom genérico do manifesto. "Pela nossa proposta, o texto deveria ser mais contundente, mas a maioria dos bispos foi contra, optando por uma manifestação mais positiva." O arcebispo de Londrina revelou que a assembleia de Itaici levantou a questão da família a pedido de parlamentares católicos e evangélicos. "Eles nos pediram um manifesto sobre a posição da CNBB para que possam trabalhar nessa linha." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.